domingo, 12 de agosto de 2012

AS COLMEIAS DO REGUEIRO


O verão em Boimo, nos meados dos anos sessenta, foi, sem margem para duvida, a estação do ano que mais marcou os anos da minha adolescência. Boimo é uma pequena aldeia inserida no conselho de Arcos de Valdevêz, no rodapé da serra da Penêda-Gerês, cuja população tem vindo a decrescer desde 1960. Em 1850 habitavam neste conselho cerca de 26000 pessoas, 110 anos mais tarde, em 1960, a população atingiu 39000, hoje em dia vivem por lá cerca de 25000 habitantes. Felizmente eu nasci no cume da população, por isso as actividades locais eram abundantes, alegres, frequentes e muito concorridas. Os caminhos, ou ruas, como lhe queiram chamar, de enormes pedras de granito, construídos pelos romanos durante a sua ocupação local, ainda se encontram em boas condições transitáveis, embora que agora já com bastantes ervas e tojos que através dos anos foram tomando raiz, perante a diminuição das pegadas de humanos e animais domésticos.  Nos meus tempos de criança, nem sequer uma lamina de erva crescia nestes caminhos, tantos eram os pequenos pés que pisavam estas calçadas dia após dia, as pedras davam aparência de serem  polidas diariamente.  Nos dias úteis, cerca de quarenta crianças, rapazes e raparigas, enchiam o ar com os seus gritos de brincadeira rumo á escola primaria de Portela que se encontrava a cerca de mil e quinhentos metros de distancia. Os terrenos de cultivo embelezavam a paisagem local com a sua distinta arquitectura em tipo de escadaria, com enormes paredes construídas de pedra, para reterem a fértil terra preta onde o milho era o cereal de preferencia ali cultivado, talvez pelo clima um pouco mais frio que se fazia sentir durante o inverno. Embora que considerada pobre, esta terra para mim foi uma das maiores riquezas que jamais conheci. Na sua maioria, os residentes desta pequena aldeia viviam numa harmonia incomparável, as famílias mais abastadas, quando faziam a matança de porco, repartiam a carne com as famílias mais carenciadas, feito hoje em dia difícil de se encontrar, se não até mesmo impossível. Rodeada por montanhas verdes, ricas em vegetação e aguas cristalinas a jorrar  nas suas nascentes a pequena aldeia custeava uma vasta dimensão territorial onde centenas de ovelhas, cabras e vacas, que faziam parte da alimentação dos locais, pastavam sobre o olhar vigilante do pastor que tinha que se manter bem alerta. Mas como todos os cuidados som poucos, de vez-em-quando os lobos ibéricos pregavam uma das suas partidas. Um bom exemplo que este povo vivia em quase perfeita harmonia, era o facto que o compromisso de ser pastor era compartilhado por toda a aldeia. Cada Boimense, dedicava o seu tempo a ser pastor uma semana completa. Após todos cumprirem a mesma obrigação, então voltaria de novo a sua vez de ser pastor, entretanto, apenas se dedicava a encaminhar os seus rebanhos ao centro da aldeia, onde o pastor de serviço nessa semana, encaminhava o rebanhos montanha acima, onde pastavam até ao por do sol. Por incrível que pareça, ao cair da tarde, ás vezes já com as estrelas á espreita na galáxia, como comandados através de controle de remoto, os animais regressavam aos seus próprios celeiros sem qualquer intervenção humana. Nas encostas da montanha, nos caminhos entre os campos de cultivo, ou em qualquer muro, era fácil encontrar frutos silvestres para nos deliciar a paleta. Desde pinheiros mansos, com os seus pinhões de enorme dimensão, estes não eram exactamente a nossa preferencia, derivado ao grau de dificuldade em partir a casca dos pinhões. Mais para a encosta da montanha havia pêras bravas, mais conhecidas localmente por pericos, amoras, essas cresciam por qualquer canto, com as mais maduras deliciava-me muitas vezes com uma possa de amoras, confeccionada de amoras, pão de milho desfeito sobre as mesmas e se houvesse, uma ou duas colheres de açúcar amarelo, uma delicia!... Mas havia muitos mais, quem quisesse dar uma caminhada de cerca de 1 km até á floresta do Mezio, encontraria avelãs nas bermas do rio, castanhas na floresta mais densa e arandos vermelhos bem adocicados. Arandos não e o próprio nome deste fruto, mas era como eram conhecidos localmente, o nome ao certo, peço perdão mas não sei. Bailando de pétala em pétala as abelhas labutavam arduamente num vaivém constante a recolher o néctar dos deuses. No Outono durante a colheita do mel, perto da fonte dos castanheiros, o Regueiro passava longas  horas a defumar os enxames e extrair os favos de cera carregados desse liquido doce cor de ouro-cobre. As latadas de videiras de vinho verde que sobressaíam das pequenas parcelas de terreno e trepando se entre-laçavam nos arames usados para suporte das uvas, tapavam quase todos os caminhos da aldeia como um toldo a proteger as pedras  das calçadas. Os terrenos do Regueiro eram um pouco mais soalheiros, a parte Sul, mais protegida do vento sustentava varias laranjeiras, esta fruta não era habitualmente encontrada nestas redondezas, derivado as  condições climatéricas mais desfavoráveis desta zona. Na parte norte existiam cerca de uma dúzia de colmeias construídas de madeira e cortiça.   A generosidade do povo desta aldeia era transmitida pela vasta maioria dos seus habitantes, e o Regueiro não era excepção á regra. Mantenho vivas belas recordações das vezes que passava cerca das colmeias quando o Regueiro extraía o mel e sempre me oferecia um favo, ainda com algumas abelhas a completar os seus depósitos de néctar das flores. Depois de cautelosamente remover as abelhas, mastigava o favo de mel durante vários minutos até extrair todo o mel e restasse apenas uma bola de cera.

Já em anos mais recentes, visitei a minha pequena aldeia para matar saudades, trilhar os caminhos de pedras  imensas de granito,construídos durante a invasão romana e tentar mentalmente reviver alguns tempos da minha linda infância.

É claro que nem mesmo esta pequena aldeia, qual população tem vindo a diminuir através das décadas, conseguiu escapar á evolução mundial, mais sentida nos países pobres que passaram a integrar a união europeia, e com isso beneficiar de todas as amenidades e tecnologias do mundo moderno, pelo menos na opinião de alguns!... Hoje, parte dos caminhos romanos estão  vestido de alcatrão para dar acesso a automóveis, e a casa do regueiro, embora ainda exista, foi renovada e o terreno que envergava as colmeias

arrasado, para facilitar o alargamento da estrada que dá acesso ao centro da aldeia.

O Regueiro já á muitos anos que nos deixou, as abelhas, embora que agora já não domesticadas, ainda por ali andam na sua labuta diária, a polinizar e retrair néctar da vasta variedades de flores que adornam as paisagens do alto Minho. A mim, infelizmente me resta as memórias e saudades das colmeias do Regueiro.

sábado, 11 de agosto de 2012

SOL POSTO

Agora que cheguei a mais uma etapa difícil na minha vida, chegou a hora de usar toda essa persistência que me ajudou a ser o homem que hoje sou. Não há voltar atras, pelo menos é para isso que vou lutar.
Então, como as nossas raízes são sempre um alimento da alma, como uma vitamina que nos ajuda a combater deficiências no sistema imune, vou no fim de Agosto passar uns dias a Portugal.
É sem duvida numa altura edial, por muitas razões, uma delas, o doutor disse-me que tenho deficiência de vitamina D, como em Portugal temos muito sol, espero que me ajude a alimentar a alma ao ver nascer e por o sol no nossos cantinho da península Ibérica.

sábado, 9 de junho de 2012

"SELECCIONAR" Chegou a hora dos portugueses se unirem numa só voz para apoiar a selecção das quinas.   Dentro de poucos horas começa a nossa selecção a competir em mais um europeu, e embora as expectativas de ganhar esse prestigioso trofeu não sejam muitas, enquanto há vida há esperança, por isso, afinem essas gargantas, tirem as bandeiras e os cachecóis das gavetas e comecem a cantar a portuguesa.  Por sermos  um pais com pequena dimensão, quase sentimos uma obrigação de pensar que feitos desses não estão ao nosso alcance, eu ateimo que estão, que somos das melhores selecções do mundo, e devemos sempre acreditar. Ou não seriam os nossos antepassados que mostraram ao mundo como se navega!... Que o mundo era redondo e que além de sermos de um país pequeno a viver muito a sombra de Espanha, tínhamos e continuamos a ter, raça e sangue lusitano. Bem, nada de birras, vamos mesmo apoiar a nossa selecção, e como o primeiro  perdedor é o segundo classificado, se não ganharmos o título, não vamos ser, com certeza, os únicos perdedores. Agora içar bandeiras, vestir camisolas e apoiar a nossa selecção.  VIVA PORTUGAL!!!!!!!!!!!!!!!..........

domingo, 29 de janeiro de 2012

ANJO DA GUARDA

1994 foi um ano que acabaria por marcar a vida de muitos trabalhadores da industria automóvel nos Estados Unidos da América. 
As marcas de automóveis Japonesas começavam a afirmar se cada vez mais no mercado norte Americano e as empresas domesticas, forçadas a diminuir a seus quadros de trabalhadores, anunciavam o encerramento de fabricas constantemente.
 Á maioria foi lhes dada a oportunidade de transferência para outras localidades, outros resolveram enfrentar outras aventuras e mudar de carreira para se manterem juntos da família e amigos.
Especificamente a mim, foi me dada uma primeira oportunidade de transferência para Defiance Ohio, para uma fabrica de fundição de blocos de motores. Junto com a esposa, meti pés ao caminho e fomos visitar a fabrica para verificar se seria esta a localidade ideal para viver com a minha jovem família.
Depois de conduzir cerca de onze horas e atravessar os estados de New Jersey, Pennsylvania e Ohio lá chegamos ao nosso destino. Nesse fim de semana, o park de estacionamento da fabrica era palco de uma exibição de Corvettes com dezenas de aficionados da marca a queimarem borracha no alcatrão e a fazerem o seu showoff.
Defiance é uma vila bem pequena, com cerca 38000 habitantes e a 70 quilómetros da fronteira do estado de Indiana. Nas suas redondezas vastos campos de milho e feijão de soja cobriam as planícies deste estado no coração dos Estados Unidos da América.
Após entrar na fabrica, a primeira coisa que me despertou a atenção foi a quantidade de pó-ferro que cobria completamente o piso. O fumo produzido pelos fornos que derretem a areia para formar os blocos de ferro para produzir motores mantinha se suspendido na atmosfera, como uma madrugada de nevoeiro em Londres. Dava bem para ver que a ventilação deixava muito a desejar.
Apercebendo me do prejuízo que esse ambiente podia causar aos meus pulmões, decidi não aceitar a proposta de transferência, embora eu queimasse um cigarro de vez em quanto, não me interessava causar mais dano aos pulmões.  
Na parte traseira dos fornos vários tapetes rolantes transportavam os blocos em brasa que passavam por trabalhadores vestidos de fatos prateados e capacetes, que mais pareciam astronautas, e os separavam uns dos outros para arrefecerem. A temperatura nesta área da fabrica devia atingir cerca de 50 graus Celsius.
Aqui até foi fácil chegar a uma conclusão quanto á transferencia, não só pelo ambiente da fabrica, mas também por a minha esposa não sentir muita apatia pela localidade e redondezas.
Os trabalhadores da industria automóvel, eram compensados com reforma antecipada ao concluírem 30 anos de serviço, se assim o decidissem, mais conhecido por  "30 e fora" um beneficio negociado através do sindicato UAW. Nas fabricas de fundição esses anos eram reduzidos a 25 anos e mais conhecidos por "25 e morto".
Como a esposa também não estava muito entusiasmada com o local, ou até não tivesse intenção em sair de Nova York, decidi não aceitar a oferta de transferencia para esta localidade, bem, pelo menos adia-la.
Alguns meses mais tarde a realidade acabou por me bater á porta, quando outra oferta de transferencia me foi feita, esta vez com um ultimato, ou aceitava ou perdia todos os direitos de emprego com a companhia.
Após varias conferências com a patroa, a confusão implantou-se, ela dizia que não saía de Nova York, eu ateimava que íamos queira ela ou não. As minhas opções não eram muitas derivado á inexistência de mestrado, mas como actualmente exercia funções no World Trade Center aos fins de semana, como gerente de uma empresa de manutenção predial, tive a oportunidade de emprego afectivo na mesma. A patroa, recém graduada no campo de medicina, mais concretamente em especialista de radio-x, sentia a sua independência  pela primeira vez desde o casamento, que havia acontecido quando era ainda muito jovem e apta por não cortar a corda umbilical que a unia á mãe.
Desta vez, a oferta de transferencia foi para Indiana, para uma fabrica de montagem de pickups. Como já tinha visitado Defiance em Ohio, resolvi aceitar a oferta para Indiana, uma vez que esta fabrica era mais nova, prometia melhor futuro de emprego, mais saudável derivado ao ambiente e pouco mais longe que a primeira. 
Eu tentei avaliar a situação o melhor possível e resolver a mesma, de modo a que o resultado final fosse favorável a todos envolvidos.
Desafortunadamente não foi assim o resultado final, a esposa, influenciada pelo seu pai e talvez também quisesse sentir um pouco a liberdade que lhe tinha sido alheia, derivado a ter sido mãe e esposa muito jovem, resolveu não arredar pé. 
Os cinco anos entre 1995 e 2000 foram passados num vaivém de viagens entre Indiana e Nova York á mistura com algumas férias em Portugal e Espanha e tentar manter a família intacta, o que não viria acontecer.      
Mas 2001 foi o ano que marcou para sempre a minha vida, depois de passar o Natal de 2000 em Nove York com a família, senti que algo estava diferente, embora as festas natalícias decorressem dentro da sua normalidade, a relação pessoal com  emitia um frio raro.
Depois de regressar a Indiana, contemplei ir aconselhar-me com um advogado, uns dias mais tarde a ideia deixou de o ser, e passou a  realidade.
Começou então a etapa mais difícil da minha vida, o ano 2001 marcou a minha vida, e com certeza a vida de mais pessoas, embora estas não o admitam.
Mas um momento ainda mais marcante, foi no dia onze de Setembro, quando um amigo de trabalho entrou no meu escritório  para me informar que um avião avia embatido contra uma das torres gémeas na cidade de Nova York. Num primeiro instante pensei que se tratasse simplesmente de um acidente aéreo, talvez um pequeno avião privado que perdera o controlo de voo e embatesse com a torre. Mas cerca de vinte minutos mais tarde o mesmo trabalhador/amigo reentra no escritório para me informar que um segundo avião havia embatido contra a outra torre gémea. Bem, agora já pensei que não se devia tratar de um mero acidente, pensei sim que algum país maníaco decidiu declarar guerra contra os Estados Unidos Americanos.
Passei as próximas 24 horas a tentar comunicar me com os meus filhos que vivem bem perto da Cidade, mas isso não iria  acontecer até após passadas 36 horas, uma vez que o governo Americano decidiu encerrar todos os meios de comunicação com a cidade, como um meio de precaução e segurança aos seus habitantes.
Quando todos os detalhes deste desastre foram averiguados, então deu para ver que eu tinha sido protegido por algum ser divino, muito superior a qualquer coisa que eu conheça. É que em 1995 tinha me sido oferecido uma oferta de trabalho neste local, se eu decidisse não continuar na industria automóvel e ficasse em Nova York, bem, se eu tivesse aceitado essa oferta, de certo estaria nesse inferno no dia 11 de Setembro 2001.
Para quem não acredita em milagres, como eu não acredito, devemos pelo menos pensar que todos temos um anjo da guarda! O meu não faltou ao trabalho neste dia marcante da minha vida, e ainda bem!!!.........


 
       

sábado, 28 de janeiro de 2012

Parabéns Pantera Negra

70 anos de Eusébio celebrados com Vinho do Porto Home \ Notícias \ 70 anos de Eusébio celebrados com Vinho do Porto  
Quinta-Feira, 26 de Janeiro de 2012 às 12:35O aniversário do futebolista foi celebrado com o lançamento de uma série limitada e numerada de 638 garrafas, número correspondente ao total de golos marcados pelo futebolista no Benfica.

Aliando-se à celebração do 70º. Aniversário de Eusébio, a @drink-business e a Quinta das Gregoças (o produtor, da zona de Sabrosa) lançaram o “Very Old Port Wine – 70 Anos do Eusébio”. Trata-se de um Vinho do Porto Tawny 30 anos, envelhecido em pipas, criado pelo enólogo Jorge Nogueira.
As garrafas são magnum (1,5l) e o preço de venda ao público é de €335.
O vinho vai estar à venda na loja do Benfica, na própria Quinta das Gregoças e através da @drink-business (243 704 026).

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

FIM DE ANO 2011

Sai o Velho Entra o Novo
Eram cerca das seis e quinze da tarde, no dia 31 de Dezembro de 2011, quando começaram a chegar ao centro Cultural Ucraniano de Toronto, dezenas de portugueses para se despedirem do velhote 2011 e dar boas vindas ao jovem 2012.

Eram várias as localidades que nesta grande cidade Canadiana, ofereciam aos portugueses variadas festas para todos os gostos e paladares. A Hollywood Productions, uma organização portuguesa, que já habituou os emigrantes portugueses destas localidades a bons espectáculos, deu mais uma boa cartada, esta noite com muitos trunfos.

A minha primeira impressão foi que a festa estava mal organizada, nos bilhetes estava escrito que as portas abriam as 18:30, depois de esperar até ás 18:50, chegaram dois cavalheiros, cada um com uma lista do esquema do salão e a perguntarem ás pessoas onde e a quem compraram os bilhetes.

Eu pelo menos não sabia, uma vez que os meus bilhetes foram comprados através de uma pessoa amiga. Também não achei essa informação relevante para nada, mas posso estar enganado, como diz o velho ditado "Há muita maneira de matar pulgas".

O que é certo é que depois da confusão inicial, um empurra daqui e um vai ter com aquele, que esses bilhetes não foram comprados a mim, lá entrei dentro do salão. As mesas estavam muito bem decoradas com toalhas e guardanapos brancos de pano, copos todos de vidro, incluindo as taças de champanhe, três balões e uma cesta com os tradicionais chapéus, colares e cornetas com inscrições do ano 2012.

O bar foi aberto imediatamente após serem abertas as portas ao publico, bar aberto sem limite em com uma boa selecção de vinhos portugueses, cerveja e vários licores para os que preferiam rum com coca cola, vodka com sumo de laranja ou qualquer outra mistura de sua preferencia.

O jantar começou a ser servido cerca das 20:15, uma sopa de legumes, seguida por filetes de peixe com arroz e bife com batatinhas assadas no forno e vegetais, para sobremesa foi servido um crepe recheado de gelado de baunilha.

No que a música diz respeito, a festa foi abrilhantada pelo conjunto Arcoiris, vindos de Viana do Castelo, com Décio Gonçalves e o DJ Simba a preencherem os seus intervalos. Também ouve lugar para uma surpresa musical, muito do meu agrado, um jovem esticou bem os foles a uma concertina que me deu para dar gosto ao pé, claro que eu também não me fez esquisito ao resto da música, a minha linda princesa é que acabou a noite com os dedos dos pés cheios de bolhas de agua. Pena foi que havia tantos casais que deviam, sem querer insultar ninguém, investir numas aulas de dança.

Após os gritos de "Happy New Year" e o som de cornetas se fazerem sentir por vários minutos, foi aberto o bufete de marisco e sobremesas. Num salão adjacente ao salão da festa, varias mesas repletas de lagostas, santolas, camarão, amêijoas, pasteis de bacalhau, leitão muito bem confeccionado, varias mesas de fruta e doces de tudo quanto há de bom na pastelaria portuguesa.

Quero por tudo isto tirar o chapéu ao Hollywood Productions e ao Castelo Sports Bar por nos brindarem com uma passagem de ano 2011/2012 impar, eu atrevo-me a dizer que serviu mesmo para dar um exemplo como uma festa bem há portuguesa deve ser organizada, embora que tenha tido que ser no Centro Cultural da Ucrânia.

Parabéns com "P" maiúsculo......

domingo, 13 de novembro de 2011

"Asas do Atlântico"



"ASAS"
Começa a reaparecer o frio e com ele regressam também as tradicionais festas portuguesas na cidade de Toronto. A comunidades portuguesas inseridas nesta cidade foram chegando através dos anos de diferentes localidades do nosso pequeno país, embora que a sua maioria seja oriunda do Minho ou dos Açores. Embora hoje em dia já bastante espalhados pela província de Ontario, a maioria dos portugueses continuam bem plantados no coração da cidade, precisamente nas ruas Dundas e Dufferin. No dia 5 de Novembro a noitada foi na Bloor street, numa festa organizada pelo Asas do Atlântico S.S. Club. O recinto era demasiado pequeno para acomodar as cerca de 250 almas ali presentes e o recinto de dança também não ajudava aqueles que como eu gostam de dar ao pé a um passo mais ríspido. O serviço do bar ate nem estava mal organizado, só que depois de ter comprado uma garrafa de Gazela bem fresca por 20 dólares, teve que me virar para agua por se ter acabado o mesmo. A comida não estava tão má como isso, para quem gosta, claro que nem todos apreciam estas iguarias de carne de porco, mas quando a festa era intitulada de "Matança do Porco" não se podia esperar lagosta!
Embora os associados do Asas do Atlântico sejam na sua maioria dos Açores, a comida estava confeccionada com muitas semelhanças ao que me acostumei na minha terra Natal em Arcos de Valdevez, as diferenças estavam nos acompanhamentos, batata doce e inhames eram os que mais acentuavam as diferenças. Morcelas, fressura guisada e rojões eram os que mais se assemelhavam .  Para sobremesa apresentaram duas mesas bem recheadas de bolos caseiros e muita fruta, a destacar, o bolo de chocolate coberto de uma camada de pudim flan, diferente na confecção e no sabor, era uma delicia, isto dito por uma pessoa que não vira muito para doces.
A noite foi abrilhantada pelo DJ Nazaré Praia, que não esteve nada mal na sua selecção de música popular portuguesa, já lá na música Americana não esteve tão bem.
Concluindo, foi uma noite a condizer com o preço do bilhete, pois por $30.00 para não sócios e $25.00 para sócios, não se poderia exigir muito mais.

sábado, 7 de maio de 2011

"CENTRAL PARK"

A cidade de Nova York é muito diversificada e tem um pouco de tudo para oferecer a quem a visita.
Eu até arrisco dizer que em Nova York deve haver cidadãos de todo os países do mundo. Portugal não foge a regra e também se faz representar no coração da cidade com alguns restaurantes, alguns emigrantes e as maiores cadeias de estabelecimentos de pronto a vestir também jécomeçam a marcar a sua presença.
Para quem aqui vive o dia a dia, a maior parte das coisas que a mim ainda me fazem confusão, fazem parte da normalidade da vida Nova Yorquina, bem, encontrar um taxista que fale inglês, deve ser raridade até para os próprios locais. Eu por exemplo ainda acho estranho casais do mesmo sexo a passearem de mãos dadas, beijarem-se na boca apaixonadamente, ainda acho mais estranho, mas é inevitável não se ver esta mariquice e outras coisas ainda mais raras ao visitar a cidade.
Sem duvida, a raridade que mais me despertou a atenção a ultima vez que fui á "Big Apple" foi a que compartilho com os leitores na foto inserida neste blog.
Dá mesmo para dizer que quem não tem cão, caça com gato!

terça-feira, 22 de março de 2011

MARCO PAULO

A casa do Alentejo em Toronto foi na sexta feira 18 de março, palco de um espectáculo em que Marco Paulo foi a atracão da noite, com organização da "Hollywood Productions".    O Cantor/Comediante Henrik Cipriano, de Ponta Delgada, São Miguel, agora residente de Cambridge, deu inicio ao espectáculo com algumas lindas baladas da música popular portuguesa, embora eu não seja fã de cantores que cantam com " Playback", Henrik ajudou a enriquecer o espectáculo, especialmente com as suas anedotas, bem contadas, através do seu distinto dialecto açoreano. 
O espaço interior do clube está decorado a querer dar um cheirinho ao Alentejo, com paredes pintadas em branco e azul, e alguns quadros da província Alentejana adornam as paredes do centro. No espaço do bar foi adicionado um telhado sobre o balcão, construído de telha antiga de um calho e as paredes também davam um ar da sua graça com alguns painéis de azulejos típicos portugueses.
Mas vamos ao que realmente me levou a escrever sobre este acontecimento; o que aqui vos quero deixar será nada mais nada menos o que opino sobre os acontecimentos da noite, separados por " Bom" e "Menos Bom".

Bom:
A voz de Marco Paulo, com 65 anos de idade a garganta continua bem afinada.
Menos Bom:
A tinta do cabelo é muito escura, todos sabemos que Marco tinha cabelos castanhos, e claro que com 65 primaveras não se punha preto.
Bom:
O chouriço assado servido como aperitivo antes da refeição.
Menos Bom:
O bacalhau assado no forno estava salgadíssimo e tinha fraca aparência.
Bom:
O vinho branco do Alentejo.
Menos Bom:
O preço do vinho, $26.00 por garrafa! Não me pareceu Alvarinho!
Bom:
Sentada ao meu lado direito, estava a mulher mais bonita de Toronto.
Menos Bom:
Sentado ao meu lado esquerdo, um senhor que ainda não sabe que o desodorizante já foi inventado, ainda bem que ele não batia muito as palmas.

Para concluir, quero apenas citar que é realmente uma pena que artistas com um currículo como o de Marco Paulo, com uma carreira artística tão ilustre, venham a terminar a mesma em recintos tão minguados.
Não quero com isto dizer que a Casa do Alentejo não seja um lugar acolhedor e até estava muito bem decorada, só que artistas do calibre de Marco Paulo, na minha opinião, deviam sair sempre pela porta grande.
Mas como Marco Paulo é oriundo do Alentejo, talvez por isso tenha querido prestar tributo aos seus conterrâneos, se assim foi, então dá para intender!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"ESTAR COM A MOSCA"

Simpatia e bom fundo.
Na Europa, alguém que não consiga “fazer mal a uma mosca” é unanimemente considerado simpático.
Os gestos impulsivos (de presidentes dos EUA ou outros) não têm lugar seja na Alemanha (“er könnte keiner Fliege etwas zu Leide tun”), em Espanha (“No haría daño ni a una mosca”), na Suécia (“ej göra en fluga förnär”) ou mesmo na Letónia (“neizdarīs mušai pāri”): não ferir o insecto é considerado sinal de gentileza de carácter.
 Mas é sabido que “o hábito não faz o monge”, cá como em França. O que, para os ingleses traz mosca no bico, desconfiados de pessoas predispostas a gentilezas: “He looks like he wouldn' t hurt a fly, but he's a wolf in sheep' s clothing”, com a fleuma a adivinhar-lhes “um lobo com pele de cordeiro” (como diriam franceses, espanhóis ou portugueses).
Voltemos à vaca fria. No tempo do Rei Sol, as mulheres vaidosas divertiam-se a colar sinais falsos que salientavam a brancura da sua pele de pêssego: esta “mouche” como lhe chamavam, destinava-se a atrair os homens que caíam “como moscas no mel”, nos jardins de Versalhes. Se o cavalheiro em questão tivesse o ar desprezível de um besouro gordo, para mais com uma mosquinha de pêlo no queixo, e isso as fizesse “ficar com a mosca”, podiam mandá-lo “faire la mouche”, ou em alemão “Mach die Fliege”. E assim, de leque em punho, as “coquettes” da Corte atingiam o seu objectivo, afastando os candidatos de menor qualidade. Algumas “ficavam moscas”…
Porquê? Alguma mosca lhes teria mordido?