Quando da bela vista e doce riso
Tomando estão meus olhos mantimento,
Tão elevado sinto o pensamento,
Que me faz ver na terra o Paraíso.
Tanto do bem humano estou diviso,
Que qualquer outro bem julgo por vento:
Assim que em termo tal, segundo sento,
Pouco vem a fazer quem perde o siso.
Em louvar-vos, Senhora, não me fundo;
Porque quem vossas graças claro sente,
Sentirá que não pode conhecê-las.
Pois de tanta estranheza sois ao mundo,
Que não é de estranhar, dama excelente,
Que quem vos fez, fizesse céu e estrelas.
quinta-feira, 14 de março de 2013
sábado, 9 de março de 2013
À PRATADA
Dez horas da madrugada,
Começou a patuscada
E fez se o prato do dia,
Era eu e o Capela
Cada um com sua panela
E o forno não aquecia.
Estava já a carne no molho!
E antes que a gente venha,
Acenda me o forno a lenha!
Dizia eu pro Piolho.
Entre a salada e pão
Chegará pros que aqui estão,
E mais alguns que vierem!
Devem ser uns seis ou sete,
Codornizes e espaguete,
Só comem os que quiserem!
Esse espaguete não basta,
Capela, se não me engano!
Também vem o italiano
E eles gostam muito de pasta!
Servimos primeiro a sopa
Porque a comida era pouca,
Que comam sopa com pão!
O Vinny vai pra panela
Deu um encontrão no Capela,
Atirou-lhe o prato ao chão!
Na mesa, mesmo ao final;
Ouve-se a voz dum fulano,
É pá! Esse italiano;
Come como um animal!
Já um pouco atrasado
Chega o policia do estado
Que o Jorge convidou,
Espreitou pra dentro do tacho,
Olhou pra cima e pra baixo
Parece que não gostou!
Eu disse ao Jorge, e agora?
Eu preparo-lhe outro prato!
Ele disse; esse gajo é chato
Deixa-o, que se vaia embora!
Tomba Lobos reclama
Agora ninguém me chama
Ja me estão a desprezar?
Sabem que eu que sempre venho
E o dinheiro que tenho
Não me importo de o gastar!
Mas eu convosco não ralho
Nem aqui faço alvoroço,
O que há amanha pro almoço?
Pergunta ele ao Carvalho.
O Basílio ao o ouvir
Foi pronto a retorquir,
O que estas tu a dizer?
Para lá com a sacanagem
Que eu deixei te uma mensagem,
Para tu vires comer!
Vai ver ao teu telefone
Tu vê lá bem o que dizes!
Hoje havia codornizes,
Tu é que não tinhas fome!
Ambiente à portuguesa,
Bastante vinho na mesa
Comeu e bebeu-se à rica,
Levantei-me eu, e então!
Preparo a televisão
Que ia jogar o Benfica.
Começou a dar a bola
Alguns já estavam borrachos!
Pra cozinha lavar tachos,
Foi o amigo Viola.
Nisto chegou o Cortiço,
Quis armar um reboliço!
Talvez por ser do dragão?
Estava o Benfica a jogar,
E ele punha-se a dançar
Em frente à televisão!
Só lhe deram uma gritada
Que era tudo boa gente,
Talvez noutro ambiente
Levasse alguma trancada!
O dia acabou em cheio
Com umas cervejas pro meio,
E o Cortiço acalmou!
Mas antes de se ir embora,
Ele foi fumar lá pra fora
E Benfica até ganhou!
Não houve mais sobressalto
A malta toda animada,
Dragões de chama apagada
E águia voou mais alto!
Começou a patuscada
E fez se o prato do dia,
Era eu e o Capela
Cada um com sua panela
E o forno não aquecia.
Estava já a carne no molho!
E antes que a gente venha,
Acenda me o forno a lenha!
Dizia eu pro Piolho.
Entre a salada e pão
Chegará pros que aqui estão,
E mais alguns que vierem!
Devem ser uns seis ou sete,
Codornizes e espaguete,
Só comem os que quiserem!
Esse espaguete não basta,
Capela, se não me engano!
Também vem o italiano
E eles gostam muito de pasta!
Servimos primeiro a sopa
Porque a comida era pouca,
Que comam sopa com pão!
O Vinny vai pra panela
Deu um encontrão no Capela,
Atirou-lhe o prato ao chão!
Na mesa, mesmo ao final;
Ouve-se a voz dum fulano,
É pá! Esse italiano;
Come como um animal!
Já um pouco atrasado
Chega o policia do estado
Que o Jorge convidou,
Espreitou pra dentro do tacho,
Olhou pra cima e pra baixo
Parece que não gostou!
Eu disse ao Jorge, e agora?
Eu preparo-lhe outro prato!
Ele disse; esse gajo é chato
Deixa-o, que se vaia embora!
Tomba Lobos reclama
Agora ninguém me chama
Ja me estão a desprezar?
Sabem que eu que sempre venho
E o dinheiro que tenho
Não me importo de o gastar!
Mas eu convosco não ralho
Nem aqui faço alvoroço,
O que há amanha pro almoço?
Pergunta ele ao Carvalho.
O Basílio ao o ouvir
Foi pronto a retorquir,
O que estas tu a dizer?
Para lá com a sacanagem
Que eu deixei te uma mensagem,
Para tu vires comer!
Vai ver ao teu telefone
Tu vê lá bem o que dizes!
Hoje havia codornizes,
Tu é que não tinhas fome!
Ambiente à portuguesa,
Bastante vinho na mesa
Comeu e bebeu-se à rica,
Levantei-me eu, e então!
Preparo a televisão
Que ia jogar o Benfica.
Começou a dar a bola
Alguns já estavam borrachos!
Pra cozinha lavar tachos,
Foi o amigo Viola.
Nisto chegou o Cortiço,
Quis armar um reboliço!
Talvez por ser do dragão?
Estava o Benfica a jogar,
E ele punha-se a dançar
Em frente à televisão!
Só lhe deram uma gritada
Que era tudo boa gente,
Talvez noutro ambiente
Levasse alguma trancada!
O dia acabou em cheio
Com umas cervejas pro meio,
E o Cortiço acalmou!
Mas antes de se ir embora,
Ele foi fumar lá pra fora
E Benfica até ganhou!
Não houve mais sobressalto
A malta toda animada,
Dragões de chama apagada
E águia voou mais alto!
quarta-feira, 6 de março de 2013
POEMA DO DIA
Com grandes esperanças já cantei,
Com que os deuses no céu eu conquistara;
Depois vim a chorar porque cantara,
E agora choro já porque já chorei.
Se cuido nas passadas que já dei,
Custa-me esta lembrança só tão cara,
Que a dor de ver as mágoas que passara,
Tenho por amor a mágoa que passei.
Pois logo, se está claro que um tormento
Dá causa que outro na alma se acrescente,
Já nunca posso ter contentamento.
Mas esta fantasia se me mente?
Oh ocioso e cego pensamento!
Ainda eu imagino em ser contente?
Com que os deuses no céu eu conquistara;
Depois vim a chorar porque cantara,
E agora choro já porque já chorei.
Se cuido nas passadas que já dei,
Custa-me esta lembrança só tão cara,
Que a dor de ver as mágoas que passara,
Tenho por amor a mágoa que passei.
Pois logo, se está claro que um tormento
Dá causa que outro na alma se acrescente,
Já nunca posso ter contentamento.
Mas esta fantasia se me mente?
Oh ocioso e cego pensamento!
Ainda eu imagino em ser contente?
domingo, 3 de março de 2013
POEMA DO DIA
Quando de minhas mágoas a comprida
Imaginação nos olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece,
Que para mi foi sonho nesta vida.
Lá numa saudade, onde estendida
A vista por o campo desfalece,
Corro após ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.
Não me fujais, sombra menina.
Com os olhos em mim, como num beijo,
Como quem diz que já não pode ser
Torna a fugir-me; e não a torno a ver
E antes que diga amor, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.
Imaginação nos olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece,
Que para mi foi sonho nesta vida.
Lá numa saudade, onde estendida
A vista por o campo desfalece,
Corro após ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.
Não me fujais, sombra menina.
Com os olhos em mim, como num beijo,
Como quem diz que já não pode ser
Torna a fugir-me; e não a torno a ver
E antes que diga amor, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.
sábado, 2 de março de 2013
POEMA DO DIA
Quando o Sol encoberto vai mostrando
Ao mundo a luz quieta e duvidosa,
Ao longo de uma praia deleitosa
Vou na minha vida imaginando.
Aqui a vi, os cabelos concertando;
Ali, com a mão na face tão, formosa;
Aqui falando alegre, ali cuidosa;
Agora estando quieta, agora andando.
Aqui esteve sentada, ali me viu,
Erguendo aqueles olhos, tão isentos;
Aqui movida um pouco, ali segura.
Aqui se entristeceu, ali se riu.
E, enfim, nestes cansados pensamentos
Passo esta vida vã, que sempre dura.
Ao mundo a luz quieta e duvidosa,
Ao longo de uma praia deleitosa
Vou na minha vida imaginando.
Aqui a vi, os cabelos concertando;
Ali, com a mão na face tão, formosa;
Aqui falando alegre, ali cuidosa;
Agora estando quieta, agora andando.
Aqui esteve sentada, ali me viu,
Erguendo aqueles olhos, tão isentos;
Aqui movida um pouco, ali segura.
Aqui se entristeceu, ali se riu.
E, enfim, nestes cansados pensamentos
Passo esta vida vã, que sempre dura.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
SOL DE INVERNO
O sol, vai batendo na janela
Aquecendo a vidraça lentamente
Eu tento levantar me de repente
Mas fico deitado; com os olhos postos nela
Por traz desse sol eu desconfio
Que embora esse sol pareça quente
Se eu me levantasse; e de repente
Saísse desta cama onde me deito
Abandonasse o conforto do meu leito
Veria que o sol, ainda que brilhante, o dia é frio!
Como um lobo de ovelha disfarçado
Assim, o sol nos engana no Inverno
Com vento á mistura é um inferno!
O chão vai-se mantendo congelado
Sentir já sol quente, quem me dera!
Mas a terra ao girar na atmosfera
Levará o Inverno para outro lado
Para nós; nos trará a Primavera.
Aquecendo a vidraça lentamente
Eu tento levantar me de repente
Mas fico deitado; com os olhos postos nela
Por traz desse sol eu desconfio
Que embora esse sol pareça quente
Se eu me levantasse; e de repente
Saísse desta cama onde me deito
Abandonasse o conforto do meu leito
Veria que o sol, ainda que brilhante, o dia é frio!
Como um lobo de ovelha disfarçado
Assim, o sol nos engana no Inverno
Com vento á mistura é um inferno!
O chão vai-se mantendo congelado
Sentir já sol quente, quem me dera!
Mas a terra ao girar na atmosfera
Levará o Inverno para outro lado
Para nós; nos trará a Primavera.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
AMOR E VINGANÇA
Amor, com a esperança já perdida
Tua soberana foto visitei;
Por sinal do sofrimento que passei,
Em lugar dos vestidos, pus a vida.
Que mais queres de mim, pois destruída
Me tens a glória toda que alcancei?
Não tentes magoar me, que não sei
Voltar a entrar onde não há saída.
Vês aqui vida, alma e esperança,
Doces lembranças de nosso bem passado,
Enquanto eu quis aquela que eu adoro.
Agora podes tomar de mim vingança;
E se te queres ainda mais vingada,
Contenta-te com as lágrimas que choro.
Tua soberana foto visitei;
Por sinal do sofrimento que passei,
Em lugar dos vestidos, pus a vida.
Que mais queres de mim, pois destruída
Me tens a glória toda que alcancei?
Não tentes magoar me, que não sei
Voltar a entrar onde não há saída.
Vês aqui vida, alma e esperança,
Doces lembranças de nosso bem passado,
Enquanto eu quis aquela que eu adoro.
Agora podes tomar de mim vingança;
E se te queres ainda mais vingada,
Contenta-te com as lágrimas que choro.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
ZÉS DA RALHA
Lá fora, como é costume
Piolho acendia o lume
Tomba Lobos racha a lenha
O Basílio dizia assim
Com um olho no Franklin
Espero que mais alguém venha!
Vê lá se vais para cozinha
Faz o molho para galinha!
A cozinha está fechada
Não se cozinha cá nada!
Diz Franklin de repente
Eu é que sou tesoureiro!
Faço contas ao dinheiro
Tu vens para atender a gente!
Não tens nada que falar!
Tu estás aqui a ganhar!
Vem Tomba Lobos então
Com três galinhas na mão
Com seu andar apressado
Faltava fazer o molho
Ele virasse pro Piolho
Vamos; o frango vai ser assado!
Dei-a lá para o que der
Aqui come quem quiser!
Franklin diz; eu não quero!
Essas coisas não tolero
E tu a mim não me mandes!
Passava a mão no bigode
Dizendo; cá comigo ninguém pode!
Eu vou comprar uma sandes
Galinha? Nem que me a deres!
E diz; Ó Carvalho, também queres?
Eu para evitar confusões
Disse cá pros meus botões
Vou mas é comer a casa
Se isto agora já esta assim
Quando o dia chegue ao fim
Que estejam com um grão na asa
Com álcool na mistura
Depois quem é que os atura?
Voltei para tomar café
Estava o Toucinho de pé
Encostado ao balcão.
Franklin atras do bar
O meu café foi tirar
E entra o Basílio então
Que tinha ouvido um zum zum
E arma lá um trinta e um
O Basílio salta aos gritos
Começam os conflitos
Quase chegam á pancada
Franklin tu sabes bem
Que os envelopes contem
A nota toda contada
O envelope, ao selado ser
Ninguém lhe deve mexer!
O Franklin suplica
O dinheiro aí fica
Só vou lá fazer trocados
Tu a mim não me refies
E nem de mim desconfies
Que eu deixo os sempre assinados
E venha lá quem vier
Abro os sempre que eu quiser!
Insultos por todo lado
Nenhum ficava caldo
Mas que grande desafio!
Com tantos insultos ditos
Eles continuavam aos gritos
Eu e o Piolho, nem pio!
Toucinho saiu pra fora
E Tomba Lobos foi-se embora
Depois de tanto insultar
Nenhum se queria calar
Qual deles o mais atrevido?
Trocaram tanta palavra
Tudo ficou como estava
Nada ficou resolvido
E eu pergunto afinal
Será que isto é normal?
Piolho acendia o lume
Tomba Lobos racha a lenha
O Basílio dizia assim
Com um olho no Franklin
Espero que mais alguém venha!
Vê lá se vais para cozinha
Faz o molho para galinha!
A cozinha está fechada
Não se cozinha cá nada!
Diz Franklin de repente
Eu é que sou tesoureiro!
Faço contas ao dinheiro
Tu vens para atender a gente!
Não tens nada que falar!
Tu estás aqui a ganhar!
Vem Tomba Lobos então
Com três galinhas na mão
Com seu andar apressado
Faltava fazer o molho
Ele virasse pro Piolho
Vamos; o frango vai ser assado!
Dei-a lá para o que der
Aqui come quem quiser!
Franklin diz; eu não quero!
Essas coisas não tolero
E tu a mim não me mandes!
Passava a mão no bigode
Dizendo; cá comigo ninguém pode!
Eu vou comprar uma sandes
Galinha? Nem que me a deres!
E diz; Ó Carvalho, também queres?
Eu para evitar confusões
Disse cá pros meus botões
Vou mas é comer a casa
Se isto agora já esta assim
Quando o dia chegue ao fim
Que estejam com um grão na asa
Com álcool na mistura
Depois quem é que os atura?
Voltei para tomar café
Estava o Toucinho de pé
Encostado ao balcão.
Franklin atras do bar
O meu café foi tirar
E entra o Basílio então
Que tinha ouvido um zum zum
E arma lá um trinta e um
O Basílio salta aos gritos
Começam os conflitos
Quase chegam á pancada
Franklin tu sabes bem
Que os envelopes contem
A nota toda contada
O envelope, ao selado ser
Ninguém lhe deve mexer!
O Franklin suplica
O dinheiro aí fica
Só vou lá fazer trocados
Tu a mim não me refies
E nem de mim desconfies
Que eu deixo os sempre assinados
E venha lá quem vier
Abro os sempre que eu quiser!
Insultos por todo lado
Nenhum ficava caldo
Mas que grande desafio!
Com tantos insultos ditos
Eles continuavam aos gritos
Eu e o Piolho, nem pio!
Toucinho saiu pra fora
E Tomba Lobos foi-se embora
Depois de tanto insultar
Nenhum se queria calar
Qual deles o mais atrevido?
Trocaram tanta palavra
Tudo ficou como estava
Nada ficou resolvido
E eu pergunto afinal
Será que isto é normal?
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