quinta-feira, 23 de maio de 2013

NAO DEIXAR TOMAR ATRAZ!...

Ontem visitei a linda cidade de Tomar e quero partilhar estas lindas fotos. Noutra oportunidade, escreverei uma historia sobre esta linda cidade...



quarta-feira, 3 de abril de 2013

MOCHILADAS


Zé, fica atras do balcão,
Que a malta da direcção
Temos que nos reunir!
Dizia me o Serafim.
Hoje vão ter que me ouvir
Vou ralhar c'o Franklin!
Tenho que o por na linha
Pra ver se ele ganha juízo
Eu hoje já o aviso
Quando ele chegar á cozinha.

A noite foi-se passando
Á malta fui aviando
Cerveja, cafés e vinho.
Foi uma noite tranquila!
Já estava quase sozinho,
Nisto chegou o mochila.
Eu disse; que te apetece?
E ele com desembaraço,
Para me acalmar o stress!
Arranja aí um bagaço!

Deu-se a reunião por finda,
A malta queria ainda
Mais um pouco de licor!
Dá cá mais uma caxaça,
Pra dar de beber á dor,
Diz o mochila em voz baixa.
Depois de uns bons bagacinhos,
E a língua bem destravada
Como estávamos sozinhos,
Contou-me a vida privada.

Eu contei lhe o que sabia
E o que a malta dizia,
Sobre a sua namorada!
Diz-se na comunidade
Que ela anda embaraçada,
Diz me tu! Isso é verdade?
O que gente anda a falar,
Eu já nada me admira!
Mas posso te confirmar,
Que isso é uma grande mentira.

Ele pediu me, tu não digas,
Nada a essas raparigas
Que conhecem a Teresa!
A Ceu é colega dela
E essa malta portuguesa
Dão muito á taramela!
Eu jurei lhe ficar mudo
Nem sequer abrir a boca,
Ceu diz; tens que contar tudo!
Vê lá se soltas a sopa!

Quando a casa cheguei,
Com a Laurinda deparei
Assentada no sofá.
Ela disse; só agora?
Porquê é que ficaste lá?
Eu tinha os mandado embora!
Cá c'o meu ar de reguila,
Olha, não fechei o bar,
Pois chegou lá o mochila
E estivemos a falar.

De curiosa que estava
Também ela perguntava,
O que foi que ele te contou?
Eu disse com boa fé,
Da namorada, afirmou!
Que não anda de bebé.
Nem mais uma lhe soltei
Não por ao Carlos ter medo!
Mas minha palavra dei,
De lhe guardar o segredo.

Logo no dia seguinte
Tendo a Lurdes como ouvinte
Laurinda conta o que ouvira,
Que o Carlos lhe disse até!
Que era tudo manteria
Ter a amiga de bebé!
A Lurdes ao ouvir tal,
Não ficou de língua presa
E logo no hospital
Foi contar tudo á Teresa.

Triste pro que tinha ouvido
Telefonou ao marido
Teresa, logo em seguida,
Que andas-te tu a fazer?
Á Laurinda ires dizer,
As coisas da nossa vida!
O mochila atrapalhado
E o que dizer não sabia
Porque não tinha falado,
Com a Laurinda nesse dia.

Então falaste com quem?
Tu não digas a ninguém,
O que na casa é passado!
Ou não basta o que tens feito?
De me faltares ao respeito,
E andares amigado!
A Ceu um pouco zangada
Veio me dizer ainda,
A mim não disseste nada,
Mas contaste á Laurinda!

O que contaram não sei!
Mas olha que eu não falei,
Com a Laurinda sobre nada!
E o que eu disse, repito
Que não estava embaraçada
Foi o que ele me tinha dito!
Ao mochila fui contar
Que tinha ouvido um zum zum
E para ele me desculpar,
De não ter feito mal nenhum!


sexta-feira, 22 de março de 2013

POEMA DO DIA

O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil, que eu na alma vejo,
Se acendeu de outro fogo do desejo
Por alcançar a luz que vence o dia.
Como de dois ardores se incendia,
Da grande impaciência fez despejo,
E, remetendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.
Ditosa aquela flama que se atreve
A apagar seus ardores e tormentos
Na vista a quem o sol temores deve!
Namoram-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquela neve
Que queima corações e pensamentos.

quinta-feira, 21 de março de 2013

POEMA DO DIA

Oh como se me alonga de ano em ano

A peregrinação cansada minha!

Como se encurta, e como ao fim caminha

Este meu breve e vão discurso humano!

Minguando a idade vai, crescendo o dano;

Perdeu-se-me um remédio, que inda tinha;

Se por experiência se adivinha,

Qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;

No meio do caminho me falece;

Mil vezes caio, e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e na tardança,

Se os olhos ergo a ver se inda aparece,

De vista se me perde, e da esperança.

quarta-feira, 20 de março de 2013

POEMA DO DIA

Está-se a Primavera trasladando

Em vossa vista deleitosa e honesta;

Nas belas faces, e na boca e testa,

Cecéns, rosas, e cravos debuxando.

De sorte, vosso gesto matizando,

Natura quanto pode manifesta,

Que o monte, o campo, o rio, e a floresta,

Se estão de vós, Senhora, namorando.

Se agora não quereis que quem vos ama

Possa colher o fruto destas flores,

Perderão toda a graça os vossos olhos.

Porque pouco aproveita, linda Dama,

Que semeasse o Amor em vós amores,

Se vossa condição produz abrolhos.

quinta-feira, 14 de março de 2013

POEMA DO DIA

Quando da bela vista e doce riso

Tomando estão meus olhos mantimento,

Tão elevado sinto o pensamento,

Que me faz ver na terra o Paraíso.

Tanto do bem humano estou diviso,

Que qualquer outro bem julgo por vento:

Assim que em termo tal, segundo sento,

Pouco vem a fazer quem perde o siso.

Em louvar-vos, Senhora, não me fundo;

Porque quem vossas graças claro sente,

Sentirá que não pode conhecê-las.

Pois de tanta estranheza sois ao mundo,

Que não é de estranhar, dama excelente,

Que quem vos fez, fizesse céu e estrelas.

sábado, 9 de março de 2013

À PRATADA

Dez horas da madrugada,
Começou a patuscada
E fez se o prato do dia,
Era eu e o Capela
Cada um com sua panela
E o forno não aquecia.
Estava já a carne no molho!
E antes que a gente venha,
Acenda me o forno a lenha!
Dizia eu pro Piolho.

Entre a salada e pão
Chegará pros que aqui estão,
E mais alguns que vierem!
Devem ser uns seis ou sete,
Codornizes e espaguete,
Só comem os que quiserem!
Esse espaguete não basta,
Capela, se não me engano!
Também vem o italiano
E eles gostam muito de pasta!

Servimos primeiro a sopa
Porque a comida era pouca,
Que comam sopa com pão!
O Vinny vai pra panela
Deu um encontrão no Capela,
Atirou-lhe o prato ao chão!
Na mesa, mesmo ao final;
Ouve-se a voz dum fulano,
É pá! Esse italiano;
Come como um animal!

Já um pouco atrasado
Chega o policia do estado
Que o Jorge convidou,
Espreitou pra dentro do tacho,
Olhou pra cima e pra baixo
Parece que não gostou!
Eu disse ao Jorge, e agora?
Eu preparo-lhe outro prato!
Ele disse; esse gajo é chato
Deixa-o, que se vaia embora!

Tomba Lobos reclama
Agora ninguém me chama
Ja me estão a desprezar?
Sabem que eu que sempre venho
E o dinheiro que tenho
Não me importo de o gastar!
Mas eu convosco não ralho
Nem aqui faço alvoroço,
O que há amanha pro almoço?
Pergunta ele ao Carvalho.

O Basílio ao o ouvir
Foi pronto a retorquir,
O que estas tu a dizer?
Para lá com a sacanagem
Que eu deixei te uma mensagem,
Para tu vires comer!
Vai ver ao teu telefone
Tu vê lá bem o que dizes!
Hoje havia codornizes,
Tu é que não tinhas fome!

Ambiente à portuguesa,
Bastante vinho na mesa
Comeu e bebeu-se à rica,
Levantei-me eu, e então!
Preparo a televisão
Que ia jogar o Benfica.
Começou a dar a bola
Alguns já estavam borrachos!
Pra cozinha lavar tachos,
Foi o amigo Viola.

Nisto chegou o Cortiço,
Quis armar um reboliço!
Talvez por ser do dragão?
Estava o Benfica a jogar,
E ele punha-se a dançar
Em frente à televisão!
Só lhe deram uma gritada
Que era tudo boa gente,
Talvez noutro ambiente
Levasse alguma trancada!

O dia acabou em cheio
Com umas cervejas pro meio,
E o Cortiço acalmou!
Mas antes de se ir embora,
Ele foi fumar lá pra fora
E Benfica até ganhou!
Não houve mais sobressalto
A malta toda animada,
Dragões de chama apagada
E águia voou mais alto!


quarta-feira, 6 de março de 2013

POEMA DO DIA

Com grandes esperanças já cantei,

Com que os deuses no céu eu conquistara;

Depois vim a chorar porque cantara,

E agora choro já porque já chorei.

Se cuido nas passadas que já dei,

Custa-me esta lembrança só tão cara,

Que a dor de ver as mágoas que passara,

Tenho por amor a mágoa que passei.

Pois logo, se está claro que um tormento

Dá causa que outro na alma se acrescente,

Já nunca posso ter contentamento.

Mas esta fantasia se me mente?

Oh ocioso e cego pensamento!

Ainda eu imagino em ser contente?

domingo, 3 de março de 2013

POEMA DE DOMINGO



POEMA DO DIA

Quando de minhas mágoas a comprida

Imaginação nos olhos me adormece,

Em sonhos aquela alma me aparece,

Que para mi foi sonho nesta vida.

Lá numa saudade, onde estendida

A vista por o campo desfalece,

Corro após ela; e ela então parece

Que mais de mim se alonga, compelida.

Não me fujais, sombra menina.

Com os olhos em mim, como num beijo,

Como quem diz que já não pode ser

Torna a fugir-me; e não a torno a ver

E antes que diga amor, acordo, e vejo

Que nem um breve engano posso ter.